Sobre selfies

downloadEu não tenho motivo algum pra tentar justificar o real “motivo” deste texto tecendo uma crítica ácida a esta onda de Selfies inúteis que observo há tempos nas Timelines da vida. Sim, inúteis! Esta é a definição mais sensata e legítima que encontrei pra denotar a nova histeria coletiva e obsessiva que se alastra por estes perfis nada privados. Ainda ontem, me peguei rindo das publicações banhadas de hipocrisia, junto do paradoxo da pseudo-revolta de alguns amigos, colegas, ou nem isso, fazendo o maior rebu pela nada nobre atitude abusiva e “nonsense” da cidadã que tirou fotos no iPhone frente ao caixão do candidato morto em um acidente trágico.

Foi aí que pensei. Oras! Tá indignado, amigão? Então diga-me quantas vezes você curtiu a morbidez do seu semelhante, dando brecha e espaço para que ele desenvolvesse potencialmente a falta de bom senso? Quantos de nós não pagamos pelo pecado de aceitar tantas personalidades que compartilham bizarrices em nossos contatos? Muitas vezes, estas pessoas sequer fazem parte de nosso ciclo social, ou de amizade. Você acorda, toma seu café, abre seu perfil e ali está! Um emaranhado de fotografias desconexas, incabíveis e destrutivas que não combinam sequer com o propósito da frase.

Tá difícil imaginar? Eu te ajudo! Já perdi as contas de quantas vezes eu me deparei com publicações femininas em que a maluca insanamente (pleonasmo?) coloca afirmações e pensamentos como “Deus seja louvado” ou “Livrai-me de todo mal, amém” ilustrando sua foto de biquíni e biquinho em um clube vagabundo qualquer, semi-nua e “sensualizando”. Ahhh, mas a galera acha o máximo! Chegam ao delírio.

Mas aí, você publica suas fotos da formatura em engenharia aeronáutica, do doutorado no Canadá, do MBA nos EUA, dos seus pensamentos políticos by “LVM”, matemáticos, filosóficos, médicos, do trabalho voluntário que alimenta famintos nas calçadas frias, da participação ativa a salvação das gazelas amarelas da floresta, da sua família, do seu filho, da ação social no Red Cross na Palestina. E qual seu saldo de curtidas? Uma dúzia, talvez menos. Mas poxa, convenhamos! Nada se compara a uma foto de mulher pelada expressando todo seu talento e “persuasão”, ou sentada em uma privada fazendo xixi. Tá chocado? Então imagina o que eu penso, quando me deparo com a patetice de mulheres, às vezes mães de família (não, não é puritanismo meu) postando fotos dançando o Lepo- Lepo, “Cavalinho”, e afins que geram mais de mil compartilhamentos e milhões de curtidas. Ô, delícia! E a galera mais uma vez, vai ao estúpido delírio com todo este espetáculo legítimo da falta de respeito com a própria imagem.

É aí que eu me questiono. Será que é possível que tenha sobrado a mínima ou qualquer dignidade no “âmago” desta sociedade? Tem certeza que quer tal proteção divina, minha filha? Esta prática insólita tem se disseminado e se espalhado como um vírus em nossos feeds de “notícia”. Notícia! Irônico, não? Palavra que me soa quase como uma utopia “por estas redondezas”. O Facebook é um site de relacionamento, e os perfis são pessoais e íntimos, sim! A liberdade é algo que eu prezo, pois tenho como ideal os preceitos legítimos da liberdade, e respeitar as vontades individuais é meu lema. Acontece, que pra tudo nesta vida é preciso ter limites. Limite é aquilo que faz você olhar a sua volta e ter respeito pela imagem de uma família velando o pai que se foi, embora seu dedo coce pra registrar este momento fúnebre e de dor.

As pessoas perderam o bom senso e a moral. Eu noto que minha geração não quer entrar pra histórias por seus feitos ou contribuições, mas sim, por ser aquele cara que ganhou o prêmio “framboesa de ouro” sendo o babaca potencialmente popular na internet ou por sua piada imbecil, suas fotos desrespeitosa e desnecessárias ou por seus vídeos medíocres. Eu não tenho como respeitar a imagem de quem não se respeita. E se você acha que é excesso de puritanismo, radicalismo ou extremismo, então abra sua página pessoal, meu amigo, e dê um “curte” e “compartilha” na sua nobre colega sem noção que pagou biquinho na cerimônia de despedida de um ser humano morto. “Aqui jaz” minha salva de Selfies a esta sociedade sem princípios e valores. E aproveitem enquanto os preceitos do bom senso estão perdidos no meio de tantas “auto-fotografias”.

Estamos na era do exercício em plenitude da falta do que fazer, potencialmente expressado pela contaminação com o exibicionismo coletivo. E o pior, meu caro, é que você curte

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