Olhos fechados

Eu juro que tento sempre construir amizades sinceras, leais, não egoístas e autênticas. Mas, meus amiguinhos, está bem complicado viver nessa Era do cada qual no seu casulo. Tristes tempos de egolatrias, egocentrismos e espelhos que não refletem. A gente grita e nem eco volta. Tempos de muita informação e pouquíssima significação. Época de muito vozerio berrante, alarido constante, em que cada qual nem mesmo ouve a si próprio.

Isso me lembra dois textos. Um do fantástico Jean Baudrillard, pinçado do seu livro Simulacros e Simulação:

“Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido.”

E me faz lembrar também de um trecho de um poema do livro Máquina mundi, quando o autor descreve o vazio nosso de cada dia, revelado e refletido em nossas telas elétricas contemporâneas:

“Nessas mesmas telas, só sombras, sobras, fragmentos da vida,
e não a gigante e real dimensão que é estar vivo nela.
Pedaços de gente, de sonhos, de planos, de vozes, de ideias
pululam e mesclam-se; como fantasmas errantes se alternam
à procura de atenção, numa fila de espera, e vociferam,
nessa bacanal — ou baile de máscaras — onde tudo é festa.”

Ao fim desse mesmo poema, chamado Caverna Pós-moderna, são estes os versos de seu desfecho reflexivamente trágico e tristonho:

“Imagina, Glauco, esses homens com essas telas a sós falando,
por todos os dias de todos os meses de todos os anos,
procurando por ver a si mesmos e também os outros homens,
mas as janelas elétricas, que nada escondem, nem respondem,
ligadas, são luzes que não iluminam o que há defronte a elas,
desligadas, são espelhos mostrando uma cara cheia de fomes.”

Não são as máquinas que estão vazias. Muito pelo contrário, estão inundadas de TUDO. E nós? Inundados de NADAS!

Feliz Era Vazia, Egóica e Solitária para todos nós!!!!

[In] Tolerante

Eu não sei se a idade nos torna tolerantes ou pacientes para lidar com determinadas situações. O fato é que entramos cada vez menos em debates acalorados, seja em que esfera for, nas redes sociais então? ALT + F4 é um bálsamo.

Quando a gente é mais novo e tem mais tempo e mais disposição para nos inflamarmos com qualquer assunto que vem à tona, é um deus-nos-acuda, não poupamos amigos, conhecidos, e, pior, cometemos muitas, muitas faltas. A primeira e a maior delas é a mais óbvia e a menos respeitada: Todas as pessoas têm direito à manifestação de pensamento, ou seja, eu tenho a minha opinião e você tem a sua. Curiosamente costumamos tomar para si todas as verdades como absoluta e imutável tábua da salvação. Não é bem assim, nem mesmo a ciência é fechada em certezas.

A vida, as concepções e a realidade nos muda em muitas coisas, nos torna tolerantes (ou intolerantes) em outras. Raul Seixas já cantava que preferia ser uma metamorfose ambulante, talvez ele soubesse que ter opinião formada sobre tudo é cansativo e pedante. Graças a Deus eu não sei o suficiente para falar de tudo. E descobri há bem pouco tempo que três palavrinhas me salvam de muitos aborrecimentos e discussões infrutíferas e absolutamente desnecessárias.

Dizer “eu não sei” é um alívio que quase te leva ao nirvana quando percebe o nível que aquela discussão que você evitou vai chegar em um nível absurdo de: estupidez, verdades refutáveis e mais uma série de idiotices. Se você tem a oportunidade de assistir de camarote o desenrolar dela, aprecie e agradeça por sua maturidade.