O fenômeno Bolsonaro

Poucas coisas retratam tão bem a mediocridade da elite intelectual brasileira quanto o debate político travado por aqui.

De fato, nós somos uns ferrados. Metade do país não possui acesso nem à coleta de esgoto. Nós literalmente não damos conta sequer de ir ao banheiro com o mínimo de dignidade.

E não é como se os nossos problemas morressem na privada. Longe disso. 44% dos brasileiros sobrevivem com menos de um salário mínimo. Faz ideia do que é encarar a vida lá fora todos os dias com 460 reais por mês? Essa é a realidade de mais de 50 milhões de pessoas por aqui.

A gente mora num puxadinho da África subsaariana. Nós ainda sequer conseguimos resolver boa parte dos problemas que nos atormentavam no século dezenove. Mas a julgar o que realmente importa no nosso debate público, o que gera discussões acaloradas pelas mentes mais brilhantes deste país, nascemos todos em algum canto tropical perdido da Noruega.

73% dos brasileiros não são plenamente alfabetizados na língua portuguesa. Se você parar, no entanto, para ouvir o que se discute nas nossas universidades, vai jurar que está preso a uma convenção do partido Democrata.

Genderqueer, slut shaming, gaslighting, mansplaining, male tears.

Não é muito difícil perceber as consequências dessa baboseira toda. Gravem bem: a nossa elite intelectual realiza um esforço estupendo para conduzir Jair Bolsonaro ao posto mais alto da República. E o pior, vai demorar alguns bons meses ainda até se dar conta disso.

Quanto mais protagonismo nós damos aos problemas enlatados do primeiro mundo, quanto mais fingimos que o que realmente importa por aqui são discussões aleatórias sobre os limites de expressão da arte ou o que pensa um bando de narcisistas da zona sul do Rio de Janeiro – gente esquizofrênica o suficiente para acreditar que governa o país do apartamento da Paula Lavigne – maiores são as apostas no ticket de Bolsonaro.

Até a gente perceber que o Brasil não cabe numa manchete do Catraca Livre, não vai faltar saguão de aeroporto lotado pra abraçar o único candidato à presidência que está disposto a dialogar no mesmo idioma que o cidadão comum. Faça você campanha contra ou a favor da sua plataforma política.

O Brasil não é a Avenida Paulista. Lá fora, quando acabar o dia, 160 pessoas terão sido assassinadas brutalmente. O Brasil é uma imensa Rocinha.

Mais de 13 milhões de brasileiros são oficialmente incapazes de sequer começar a ler um texto como esse pela única razão de serem analfabetos. Você é um privilegiado só de ter chegado até esse parágrafo. Segundo a ONG Ação Educativa, apenas 8% das pessoas que moram nesse país têm condições de compreender e se expressar plenamente em seu próprio idioma.

Percebeu? Longe do MASP esse é o único debate em torno da liberdade de expressão que importa nesse momento.

Quem irá decidir a eleição do ano que vem não é a Fátima Bernardes. Nem a Andreia Horta. É gente como a Dona Regina. E fora do Jardim Botânico ninguém aguenta mais ter que discutir problema de gente rica.

Enquanto não estourarmos essa bolha e enxergar o Brasil real que existe além das afetações ideológicas da nossa classe média, enquanto não trouxermos para o centro do debate os problemas que afetam de verdade a vida de gente que não faz ideia do que significa “lacre”, “grito” ou “close errado”, enquanto continuarmos fingindo que moramos em Bruxelas, Bolsonaro nadará a braçadas nas pesquisas de opinião.

Definitivamente não terá sido por falta de aviso. E eu estou esperando por isso.

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Amantes da fantasia

“A imaginação é o direito constitucional para viver de novo. Não desperdice a vida com uma única vida.”
Fabrício Carpinejar

Quando reflete sobre si, o homem comum se vê como alguém racional, lúcido, com os pés no chão, mas que às vezes é tomado pela fantasia. Os psicanalistas acreditam no contrário: o homem sonha a maior parte do tempo, e em certos momentos, geralmente a contragosto, acorda. Passamos um terço da vida dormindo, portanto sonhando, e quando estamos despertos nossos devaneios ocupam um tempo muito maior do que imaginamos. Mesmo trabalhando estamos fantasiando estar em outro lugar, com outras pessoas, fazendo outras coisas. Passamos um mês de férias, mas os outros onze sonhando com elas, assim como o sábado e o domingo não ocupam somente esses dois dias em nossos pensamentos.

A vida amorosa e sexual é muito maior e mais variada na fantasia do que na realidade. Sem falar nos devaneios de grandeza: imaginamos cenas em que estamos no centro das atenções do mundo, realizamos feitos fantásticos, de um heroísmo desprendido, nos quais somos generosos, conquistando a admiração de todos. Isso no melhor dos casos, pois se estivermos ressentidos, frustrados, derrotados, a fantasia será alimentada por impulsos agressivos e então imaginariamente nos vingaremos dos desafetos em grande estilo, criando roteiros infernais para todos os que nos
atrapalharam. Basta um pouco de sinceridade para verificar que a fantasia ocupa um lugar maior na vida do que admitimos.

Sempre que podemos utilizamos algum escape da nossa realidade. Se nossa cabeça está cansada ela usa fantasias emprestadas: as novelas de TV, os filmes, as séries, os romances, ou mesmo pode utilizar-se de fatos corriqueiros para estruturar sonhos e devaneios. Por exemplo, uma partida de futebol é muito mais do que seus 90 minutos de realidade: no esporte, passado, presente e futuro se misturam; o jogo de agora é uma vingança de uma partida anterior, na qual se está somando pontos hoje para uma conquista épica, que virá daqui a meses, segundo a esperança do fiel torcedor; ou seja, a fantasia desborda a realidade do embate e o inflaciona de sentidos.

O senso comum nos leva a acreditar que somos aquele que está acordado, que o eixo do nosso ser, o nosso verdadeiro eu, encontra-se assentado na realidade, e não está contaminado por esse caldo múltiplo de fantasias que nos atravessam o tempo todo. Mas, gostemos ou não, somos o resultado, o somatório, do desperto com o sonhador, até porque nem sempre é possível delinear uma rígida separação entre os dois, tampouco é possível, nem necessário,
definir qual é o mais importante. Na prática, somos casados com a realidade, mas só pensamos em nossa amante: a fantasia.

Apesar disso, não existe uma correspondência entre a importância de sonhar e fantasiar, esse homo onírico que somos, dado o papel que a fantasia ocupa em nossa vida, com uma reflexão sobre ela. Subestimamos a fantasia, sobretudo porque a julgamos acessória, ela não passaria de um escape, um desvio de rota do prumo da realidade. Quando muito, admitimos que a fantasia serviria de consolo, nos ajudaria a suportar os fatos reais da vida, o que é certo, mas raramente acreditamos que ela nos constitui, nos molda e faz parte da arquitetura da nossa personalidade. Na contracorrente desse entendimento, que acusa a fantasia de escapista, bovarista, de tornar-nos incapazes de avaliar a objetividade dos fatos, pensamos que a experiência de imaginar histórias, ou mesmo embarcar naquelas que outra pessoa criou, nos torna mais sagazes, profundos, capazes de enfrentar reveses e compreender complexidades. “A boa literatura, enquanto aplaca momentaneamente a insatisfação humana, incrementa-a e, fazendo que se desenvolva uma sensibilidade inconformista em relação à vida, torna os seres humanos mais aptos para a infelicidade”, escreveu Mario Vargas Llosa. A experiência artística nos coloca em sintonia com a fantasia alheia, ela amplia os horizontes aos quais podemos chegar com o uso da própria imaginação e abre a possibilidade
de questionar a realidade, tanto a pessoal como a coletiva. Compartilhar fantasias é o que fazem os artistas com seu público e os pais com os filhos ao contar-lhes histórias. “Incivilizado, bárbaro, órfão de sensibilidade e pobre de palavra, ignorante e grave, alheio à paixão e ao erotismo, o mundo sem romances, esse pesadelo que procuro delinear, teria como traço principal o conformismo, a submissão generalizada, dos seres ao estabelecido”, acrescenta Llosa. Conscientes desse poder da fantasia, as ditaduras baniram boa parte dos artistas e suas obras, pois um rebanho que não sonha não transcende as cercas que o encarceram.

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Olhos fechados

Eu juro que tento sempre construir amizades sinceras, leais, não egoístas e autênticas. Mas, meus amiguinhos, está bem complicado viver nessa Era do cada qual no seu casulo. Tristes tempos de egolatrias, egocentrismos e espelhos que não refletem. A gente grita e nem eco volta. Tempos de muita informação e pouquíssima significação. Época de muito vozerio berrante, alarido constante, em que cada qual nem mesmo ouve a si próprio.

Isso me lembra dois textos. Um do fantástico Jean Baudrillard, pinçado do seu livro Simulacros e Simulação:

“Estamos num universo em que existe cada vez mais informação e cada vez menos sentido.”

E me faz lembrar também de um trecho de um poema do livro Máquina mundi, quando o autor descreve o vazio nosso de cada dia, revelado e refletido em nossas telas elétricas contemporâneas:

“Nessas mesmas telas, só sombras, sobras, fragmentos da vida,
e não a gigante e real dimensão que é estar vivo nela.
Pedaços de gente, de sonhos, de planos, de vozes, de ideias
pululam e mesclam-se; como fantasmas errantes se alternam
à procura de atenção, numa fila de espera, e vociferam,
nessa bacanal — ou baile de máscaras — onde tudo é festa.”

Ao fim desse mesmo poema, chamado Caverna Pós-moderna, são estes os versos de seu desfecho reflexivamente trágico e tristonho:

“Imagina, Glauco, esses homens com essas telas a sós falando,
por todos os dias de todos os meses de todos os anos,
procurando por ver a si mesmos e também os outros homens,
mas as janelas elétricas, que nada escondem, nem respondem,
ligadas, são luzes que não iluminam o que há defronte a elas,
desligadas, são espelhos mostrando uma cara cheia de fomes.”

Não são as máquinas que estão vazias. Muito pelo contrário, estão inundadas de TUDO. E nós? Inundados de NADAS!

Feliz Era Vazia, Egóica e Solitária para todos nós!!!!

[In] Tolerante

Eu não sei se a idade nos torna tolerantes ou pacientes para lidar com determinadas situações. O fato é que entramos cada vez menos em debates acalorados, seja em que esfera for, nas redes sociais então? ALT + F4 é um bálsamo.

Quando a gente é mais novo e tem mais tempo e mais disposição para nos inflamarmos com qualquer assunto que vem à tona, é um deus-nos-acuda, não poupamos amigos, conhecidos, e, pior, cometemos muitas, muitas faltas. A primeira e a maior delas é a mais óbvia e a menos respeitada: Todas as pessoas têm direito à manifestação de pensamento, ou seja, eu tenho a minha opinião e você tem a sua. Curiosamente costumamos tomar para si todas as verdades como absoluta e imutável tábua da salvação. Não é bem assim, nem mesmo a ciência é fechada em certezas.

A vida, as concepções e a realidade nos muda em muitas coisas, nos torna tolerantes (ou intolerantes) em outras. Raul Seixas já cantava que preferia ser uma metamorfose ambulante, talvez ele soubesse que ter opinião formada sobre tudo é cansativo e pedante. Graças a Deus eu não sei o suficiente para falar de tudo. E descobri há bem pouco tempo que três palavrinhas me salvam de muitos aborrecimentos e discussões infrutíferas e absolutamente desnecessárias.

Dizer “eu não sei” é um alívio que quase te leva ao nirvana quando percebe o nível que aquela discussão que você evitou vai chegar em um nível absurdo de: estupidez, verdades refutáveis e mais uma série de idiotices. Se você tem a oportunidade de assistir de camarote o desenrolar dela, aprecie e agradeça por sua maturidade.

O que é a tal felicidade, afinal?

Nossos políticos e estudiosos em geral consideram em seus cálculos a poluição do ar, a publicidade do fumo e as ambulâncias que rodam para coletar os feridos em nossas rodovias. Eles registram os custos dos sistemas de segurança que instalamos para proteger nossos lares e as prisões em que trancafiamos os que conseguem burlá-los. Eles levam em conta a destruição de nossas florestas e sua substituição por uma urbanização descontrolada e caótica. Elem incluem a produção de armas nucleares e dos veículos armados usados pela polícia para reprimir a desordem urbana. Eles registram em  programas de televisão que glorificam a violência para vender brinquedos a crianças.

Por outro lado, não observam a saúde de nossos filhos, a qualidade de nossa educação ou a alegria de nossos jogos. Não mede a beleza de nossa poesia e a solidez de nossos matrimônios. Não se preocupam em avaliar a qualidade de nossos debates políticos e a integridade de nossos representantes. Não consideram nossa coragem, sabedoria e cultura. Nada dizem sobre nossa compaixão e dedicação a nosso país. Em resumo, eles medem tudo, menos o que faz a vida valer a pena.

Observadores indicam que cerca de metade dos bens cruciais para a felicidade humana não tem preço de mercado nem pode ser adquirida em lojas. Qualquer que seja a sua
condição em matéria de dinheiro e crédito, você não vai encontrar num shopping o amor e a amizade, os prazeres da vida doméstica, a satisfação que vem de cuidar dos entes queridos ou de ajudar um vizinho em dificuldade, a auto-estima proveniente do trabalho bem-feito, a satisfação do “instinto de artífice” comum a todos nós, o reconhecimento, a simpatia e o respeito dos colegas de trabalho e outras pessoas a quem nos associamos; você não encontrará lá proteção contra as ameaças de desrespeito, desprezo, afronta e humilhação. Além disso, ganhar bastante dinheiro para adquirir esses bens que só
podem ser obtidos em lojas é um ônus pesado sobre o tempo e a energia disponíveis para obter e usufruir bens não – comerciais e não-negociáveis. Pode facilmente ocorrer, e frequentemente ocorre, de as perdas excederem os ganhos e de a capacidade da renda ampliada para gerar felicidade ser superada pela infelicidade causada pela redução do acesso aos bens que “o dinheiro não pode comprar”.

O consumo toma tempo (ir ás compras também), e os vendedores de bens de consumo são naturalmente interessados em reduzir ao mínimo o tempo dedicado à agradável arte
de consumir. Simultaneamente, eles se interessam em cortar o máximo possível, ou eliminar de uma vez, as atividades que ocupam muito tempo mas geram poucos lucros de mercado. Tendo em vista sua freqüência nos catálogos, as promessas contidas nas descrições dos novos produtos disponíveis – como “não exige nenhum esforço”, “não é necessária nenhuma habilidade”, “você vai curtir [música, paisagens, delícias do paladar, a limpeza renovada de sua blusa etc] em minutos” ou “com apenas um toque” – parecem presumir que haja uma convergência de interesses entre vendedores e compradores.

Mas, quaisquer que sejam os ganhos de uma transação como essa, seu impacto sobre a soma total de felicidade é, no mínimo, bastante ambíguo.

Vivemos numa era em que “esperar” se transformou num palavrão. Gradualmente erradicamos (tanto quanto possível) a necessidade de esperar por qualquer coisa, e
o adjetivo do momento é “instantâneo”. Não podemos mais gastar meros 12 minutos fervendo uma panela de arroz, de modo que foi criada uma versão de dois minutos
para microondas. Não podemos ficar esperando que a pessoa certa chegue, de modo que aceleramos o encontro … Em nossas vidas pressionadas pelo tempo, parece que
o cidadão do século XXI não tem mais tempo para esperar coisa alguma.

Ainda sou do tempo em que a espera era um prazer… Esperar parece ter se tornado um luxo,uma janela em nossas vidas estritamente agendadas. Em nossa cultura do ‘agora’, de Tablets, laptops e smartphones, os ‘esperantes’ veem a sala de espera como um refúgio. Talvez, a sala de espera nos relembre a arte, tão prazerosa mas infelizmente esquecida, de relaxar.

Seria possível, por exemplo, convidar um parceiro para um restaurante, servir
às crianças hambúrgueres do McDonald ou pedir “comida para viagem” em vez de preparar refeições “a partir do zero” na cozinha de casa; ou comprar presentes caros para os entes queridos como compensação pelo pouco tempo que passam juntos ou pela raridade das oportunidades de falarem um com o outro, assim como pela ausência, ou quase ausência, de manifestações convincentes de interesse pessoal, compaixão
e carinho?

Mas mesmo o gosto agradável da comida do restaurante ou os preços altos nas etiquetas e os rótulos prestigiosos fixados aos presentes dificilmente alcançarão o valor, em termos de felicidade agregada, dos bens cuja ausência ou raridade eles devem compensar: bens como reunir – se em torno de uma mesa com comida preparada em conjunto para ser compartilhada, ou ter uma pessoa que nos é importante ouvindo com atenção uma longa exposição de nossos pensamentos, esperanças e apreensões mais íntimos, e provas semelhantes de atenção, compromisso e carinho amorosos. Toda e qualquer oferta exige certo sacrifício da parte do doador, e é precisamente a consciência do auto-sacrifício que
aumenta seu sentimento de felicidade. Presentes que não requerem esforço nem sacrifício, e portanto não exigem a renúncia de outros valores cobiçados, são inúteis nesse quesito.
O grande humanista e psicólogo Abraham Maslow e seu filho pequeno compartilhavam o amor por morangos. A esposa de Maslow lhes oferecia morangos no café-da-manhã:
“Meu filho”, ele me contou, “era, como toda criança, impaciente, impetuoso, incapaz de saborear lentamente suas delícias e prolongar sua alegria por mais tempo; ele esvaziava o prato rapidamente e depois olhava, desejoso, para o meu, quase cheio ainda. Toda vez que isso acontecia, eu lhe dava meus morangos. E, sabe,” Maslow concluiu a história, “eu me lembro daqueles morangos parecendo mais gostosos na boca dele do que na minha…”.

Um dos efeitos mais seminais de se igualar a felicidade à compra de mercadorias que se espera que gerem felicidade é afastar a probabilidade de a busca da felicidade algum dia
chegar ao fim. Essa busca nunca vai terminar – seu fim equivaleria ao fim da felicidade como tal. Não sendo possível atingir um estado seguro de felicidade, só a busca desse alvo teimosamente esquivo é que pode manter felizes (ainda que moderadamente)
os corredores. Na pista que leva à felicidade, não existe linha de chegada. Os pretensos meios se transformam em fins: o único consolo disponível em relação ao caráter
esquivo do sonhado e ambicionado “estado de felicidade” é permanecer no curso; enquanto se está na corrida, sem cair exausto nem receber um cartão vermelho, a esperança de uma vitória futura se mantém viva.

Felicidade tem mais a ver com “como” do que com “o quê”.